CURB-65 x PSI/PORT: qual escore usar

Os dois escores respondem à mesma pergunta — este paciente com pneumonia adquirida na comunidade pode ir para casa? — com filosofias opostas: cinco variáveis de beira de leito contra vinte variáveis com gasometria e radiografia.

Autor: CRM/MG 105.721

Médico — Emergência Pediátrica

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Resposta curta

O PSI/PORT discrimina melhor, sobretudo para identificar pacientes de baixo risco com segurança, e é o escore que a diretriz ATS/IDSA de 2019 recomenda preferencialmente[3]. O CURB-65 é substancialmente mais rápido e aplicável sem exames complementares, o que o mantém em uso quando as 20 variáveis do PSI não estão ao alcance.

Comparação lado a lado

Comparação entre CURB-65 e PSI/PORT
CURB-65PSI / PORT
Nº de variáveis520
Publicação originalLim et al., Thorax 2003[1]Fine et al., NEJM 1997[4]
Coorte de derivação≈ 1.000 pacientes≈ 38.000 pacientes
Exige laboratórioSó ureiaHemograma, eletrólitos, glicose, ureia, gasometria
Exige imagemNão (para o cálculo)Sim (derrame pleural é variável)
Considera comorbidadesNãoSim (neoplasia, hepatopatia, ICC, doença cerebrovascular, nefropatia)
Considera oxigenaçãoNãoSim (PaO₂ / saturação)
Saída0–5 pontosClasses de risco I a V
Tempo de aplicaçãoSegundosMinutos, com dados em mãos
Recomendação ATS/IDSA 2019Alternativa aceitávelPreferencial[3]

Desempenho discriminatório

Meta-análise de Chalmers e colaboradores comparou as ferramentas em pacientes hospitalizados e encontrou área sob a curva ROC semelhante entre CURB-65 e PSI para predição de mortalidade — em torno de 0,80 para ambos —, com vantagem consistente do PSI na sensibilidade para identificar baixo risco[5].

A comparação prospectiva direta de Aujesky et al. chegou à mesma leitura: o PSI classifica uma proporção maior de pacientes como baixo risco mantendo mortalidade igualmente baixa nessa faixa, o que é exatamente o que se quer de uma regra que autoriza alta[7].

A diferença não está em “acertar quem morre” — nisso empatam. Está em quantos pacientes cada regra consegue liberar com segurança. O PSI libera mais, porque incorpora comorbidades e oxigenação; o CURB-65 é mais grosseiro e mantém no hospital gente que poderia ir para casa.

Qual usar em cada cenário

Prefira o CURB-65

  • Triagem rápida na porta da emergência.
  • Gasometria ou radiografia ainda não disponíveis.
  • Necessidade de reavaliação seriada à beira do leito.
  • Serviço com protocolo institucional já ancorado no CURB-65.

Prefira o PSI/PORT

  • Decisão formal de alta versus internação.
  • Paciente idoso com múltiplas comorbidades.
  • Exames completos já disponíveis.
  • Auditoria clínica ou protocolo alinhado à ATS/IDSA.

Na prática, os dois não são excludentes: o CURB-65 funciona bem como triagem inicial e o PSI como confirmação antes de formalizar a alta. Nenhum dos dois avalia necessidade de UTI — para isso existem os critérios maiores e menores da própria ATS/IDSA[3].

Limitação comum aos dois

Ambos foram derivados de coortes majoritariamente de países de alta renda, com perfil etário e de comorbidades diferente do brasileiro, e nenhum dos dois incorpora fatores sociais determinantes — capacidade de retornar em caso de piora, adesão ao antibiótico oral, suporte domiciliar. Um escore de baixo risco em paciente sem condições de seguimento ambulatorial não é indicação de alta.

Perguntas frequentes

CURB-65 ou PSI: qual a diretriz ATS/IDSA recomenda?

A diretriz ATS/IDSA de 2019 recomenda preferencialmente o PSI sobre o CURB-65 para decidir o local de tratamento, por ter sido validado em população maior e discriminar melhor pacientes de baixo risco.

Por que o CURB-65 continua sendo usado se o PSI discrimina melhor?

Porque o PSI exige 20 variáveis, incluindo gasometria arterial e radiografia, enquanto o CURB-65 usa 5 variáveis obtidas à beira do leito. Na emergência, a viabilidade de aplicação compensa parte da perda de acurácia.

Continuar

Calcule agora na calculadora do CURB-65, ou use o CRB-65 se não houver exame disponível. Antes de pontuar o critério renal, confira a conversão de ureia em mg/dL x BUN. Todas as fontes citadas estão na página de referências.