CURB-65 x PSI/PORT: qual escore usar
Autor: Dr. Carlos Eduardo Miranda Bruzzi Felipe — CRM/MG 105.721
Médico — Emergência Pediátrica
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Resposta curta
O PSI/PORT discrimina melhor, sobretudo para identificar pacientes de baixo risco com segurança, e é o escore que a diretriz ATS/IDSA de 2019 recomenda preferencialmente[3]. O CURB-65 é substancialmente mais rápido e aplicável sem exames complementares, o que o mantém em uso quando as 20 variáveis do PSI não estão ao alcance.
Comparação lado a lado
| CURB-65 | PSI / PORT | |
|---|---|---|
| Nº de variáveis | 5 | 20 |
| Publicação original | Lim et al., Thorax 2003[1] | Fine et al., NEJM 1997[4] |
| Coorte de derivação | ≈ 1.000 pacientes | ≈ 38.000 pacientes |
| Exige laboratório | Só ureia | Hemograma, eletrólitos, glicose, ureia, gasometria |
| Exige imagem | Não (para o cálculo) | Sim (derrame pleural é variável) |
| Considera comorbidades | Não | Sim (neoplasia, hepatopatia, ICC, doença cerebrovascular, nefropatia) |
| Considera oxigenação | Não | Sim (PaO₂ / saturação) |
| Saída | 0–5 pontos | Classes de risco I a V |
| Tempo de aplicação | Segundos | Minutos, com dados em mãos |
| Recomendação ATS/IDSA 2019 | Alternativa aceitável | Preferencial[3] |
Desempenho discriminatório
Meta-análise de Chalmers e colaboradores comparou as ferramentas em pacientes hospitalizados e encontrou área sob a curva ROC semelhante entre CURB-65 e PSI para predição de mortalidade — em torno de 0,80 para ambos —, com vantagem consistente do PSI na sensibilidade para identificar baixo risco[5].
A comparação prospectiva direta de Aujesky et al. chegou à mesma leitura: o PSI classifica uma proporção maior de pacientes como baixo risco mantendo mortalidade igualmente baixa nessa faixa, o que é exatamente o que se quer de uma regra que autoriza alta[7].
A diferença não está em “acertar quem morre” — nisso empatam. Está em quantos pacientes cada regra consegue liberar com segurança. O PSI libera mais, porque incorpora comorbidades e oxigenação; o CURB-65 é mais grosseiro e mantém no hospital gente que poderia ir para casa.
Qual usar em cada cenário
Prefira o CURB-65
- Triagem rápida na porta da emergência.
- Gasometria ou radiografia ainda não disponíveis.
- Necessidade de reavaliação seriada à beira do leito.
- Serviço com protocolo institucional já ancorado no CURB-65.
Prefira o PSI/PORT
- Decisão formal de alta versus internação.
- Paciente idoso com múltiplas comorbidades.
- Exames completos já disponíveis.
- Auditoria clínica ou protocolo alinhado à ATS/IDSA.
Na prática, os dois não são excludentes: o CURB-65 funciona bem como triagem inicial e o PSI como confirmação antes de formalizar a alta. Nenhum dos dois avalia necessidade de UTI — para isso existem os critérios maiores e menores da própria ATS/IDSA[3].
Limitação comum aos dois
Ambos foram derivados de coortes majoritariamente de países de alta renda, com perfil etário e de comorbidades diferente do brasileiro, e nenhum dos dois incorpora fatores sociais determinantes — capacidade de retornar em caso de piora, adesão ao antibiótico oral, suporte domiciliar. Um escore de baixo risco em paciente sem condições de seguimento ambulatorial não é indicação de alta.
Perguntas frequentes
▸CURB-65 ou PSI: qual a diretriz ATS/IDSA recomenda?
A diretriz ATS/IDSA de 2019 recomenda preferencialmente o PSI sobre o CURB-65 para decidir o local de tratamento, por ter sido validado em população maior e discriminar melhor pacientes de baixo risco.
▸Por que o CURB-65 continua sendo usado se o PSI discrimina melhor?
Porque o PSI exige 20 variáveis, incluindo gasometria arterial e radiografia, enquanto o CURB-65 usa 5 variáveis obtidas à beira do leito. Na emergência, a viabilidade de aplicação compensa parte da perda de acurácia.
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Calcule agora na calculadora do CURB-65, ou use o CRB-65 se não houver exame disponível. Antes de pontuar o critério renal, confira a conversão de ureia em mg/dL x BUN. Todas as fontes citadas estão na página de referências.